O estatuto de startup é uma vantagem importante para empresas que estão a dar os primeiros passos da sua atividade.

Criar e gerir uma empresa não é uma tarefa fácil. Entre todos os desafios, a inexperiência, as primeiras deadlines, os clientes e mesmo as limitações financeiras, são muitos os obstáculos que se levantam perante os empresários no início dos seus negócios. Esta é uma realidade que leva a que muitos projetos não sejam capazes de sobreviver à sua infância.

Apesar de tudo isto, a verdade é que, em Portugal, existem benefícios que algumas empresas podem aproveitar para a gestão da sua atividade. O estatuto de startup é, em todo o caso, uma dessas vantagens, sendo muito importante para qualquer empresário compreender o que pode acrescentar ao seu negócio.

 

O que é o estatuto de startup?

O estatuto de startup corresponde a um reconhecimento legal atribuído a empresas que cumprem um conjunto de critérios definidos na lei.

De forma geral, aplica-se a empresas com menos de 10 anos de atividade, com menos de 250 trabalhadores e com um volume de negócios anual até 50 milhões de euros. Para além disso, a empresa não pode resultar da transformação de uma grande empresa nem ter uma participação maioritária desse tipo de entidades.

Um outro ponto está relacionado com a natureza da atividade desenvolvida por uma determinada empresa. Esta deverá estar focada na criação e respetiva manutenção de um projeto inovador e com potencial de crescimento. Em alternativa, pode cumprir este requisito através da captação de investimento, nomeadamente junto de fundos de capital de risco ou investidores certificados.

Este estatuto não é atribuído de forma automática. O pedido deve ser feito pela própria empresa, sendo a sua atribuição da responsabilidade da entidade Startup Portugal.

 

Acesso a benefícios fiscais

Uma das principais vantagens deste enquadramento está no acesso a benefícios fiscais.

O SIFIDE é um dos exemplos mais relevantes. Este regime permite deduzir ao IRC uma parte significativa das despesas associadas a atividades de investigação e desenvolvimento. Na prática, isto significa que investimentos em software, desenvolvimento de produto ou inovação tecnológica podem ter um impacto direto na redução do imposto a pagar.

Outro regime a considerar é o RFAI, que permite deduções associadas a investimentos em ativos ligados à atividade, como equipamentos ou tecnologia.

Para além destes instrumentos, as startups podem também beneficiar de taxas de IRC mais reduzidas. Atualmente, as PME têm acesso a uma taxa inferior sobre os primeiros lucros tributáveis, o que pode ajudar a aliviar a carga fiscal numa fase inicial.

 

Planos de atribuição de ações

O estatuto de startup veio também trazer um enquadramento específico para a atribuição de ações a colaboradores.

Nestes casos, a tributação ocorre apenas no momento da venda das ações e incide apenas sobre parte do ganho. Isto permite adiar o impacto fiscal e tornar este tipo de compensação mais atrativo.

Na prática, este modelo pode ser uma forma de envolver a equipa no crescimento da empresa, sobretudo quando ainda não existe margem para oferecer salários mais apelativos.

 

Acesso a financiamento

Outro aspeto relevante prende-se com o acesso a financiamento.

O reconhecimento enquanto startup pode facilitar o acesso a programas de apoio à inovação e ao desenvolvimento, tanto a nível nacional como europeu. Em muitos casos, os critérios exigidos nestes programas estão alinhados com os do próprio estatuto.

Para além disso, este enquadramento tende a ser valorizado por investidores, o que pode ajudar em processos de captação de capital.

 

O que deve ser assegurado?

Para aceder a estes benefícios, é necessário garantir que a empresa cumpre determinados requisitos.

A situação fiscal e contributiva deve estar regularizada, as obrigações declarativas devem ser cumpridas e a contabilidade deve estar organizada.

Para além disso, é importante analisar cada incentivo de forma individual, uma vez que nem todos se aplicam automaticamente a todas as situações.

O estatuto de startup pode ser um apoio relevante numa fase inicial, mas deve ser enquadrado na realidade de cada empresa. Perceber quais os benefícios aplicáveis e de que forma podem ser utilizados faz parte do processo de gestão.

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